Ícones


O que é um Ícone

f01[1]O ícone é uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Mãe de Deus, dos santos, a ilustração de uma festa litúrgica. Ele é pintado segundo técnicas precisas e conforme certos “cânones” tradicionais destinados a lhes garantir autenticidade. Não se trata, pois, de um quadro qualquer sobre religião, de uma imagem piedosa aonde a realização seria deixada por conta da inspiração individual e submetida às “modas” ou aos estilos artísticos profanos. O critério não é a beleza – embora ela exista, evidentemente, mas a verdade.

Não se deve crer, entretanto, que as regras que regem a arte do ícone fazem dele algo monótono ou estereotipado. Longe disso. É suficiente comparar dois ícones que ilustram a mesma festa litúrgica pintados por iconógrafos da mesma época ou de períodos diferentes, para ver que eles são distintos entre si, embora representem uma mesma verdade. A fidelidade à tradição não é repetição, cópia, mas uma revelação sempre nova da vida interior da Igreja. O iconógrafo fala a língua de sua época e se exprime de seu próprio jeito nos moldes da tradição da Igreja.

O que representa o ícone na vida da Igreja e do fiel; O que significa sua veneração?

f02[1]“Se um pagão vos pedir para lhe explicar vossa fé, dizia São João Damasceno, faça-o entrar na igreja e ponha-o de frente aos ícones.” Ao entrar na igreja, de fato, ele verá os fiéis acender as velas diante dos ícones, beijá-los, orar diante deles com veneração. Verá o presbítero e o diácono incensar os ícones e os afrescos. Por ocasião das festas litúrgicas, o ícone da festa é colocado sobre um púlpito no meio da igreja, e enfeitado com flores e venerado por todos. A vida litúrgica e sacramental da Igreja é inseparável do ícone. O ícone “é um objeto cultual no qual repousa a graça divina e faz parte integrante da Liturgia (…) é freqüentemente chamado, com razão, de “teologia por imagens” (…) Completam e explicam a Liturgia (…) Seu conteúdo e significado são os mesmos que os da Liturgia, (…) é o mesmo simbolismo, a mesma sobriedade, a mesma profundidade de conteúdo (L. Ouspensky, Essai sur a théologie de l’icone dans L’Eglise Orthodoxe, 1960, pg. 10-11).” O ícone proclama a mesma verdade que o Evangelho, à sua maneira, representaria o mesmo papel que os escritos dos Padres. “O que a palavra comunica pelo ouvido, diz São Basílio, a pintura o mostra silenciosamente.” O ícone possui, pois, uma função didática para ajudar e guiar os fiéis em suas orações e em suas vidas. O culto aos santos está ligado à veneração dos ícones, sendo estes um ponto de contato entre os vivos e mortos, entre as pessoas representadas e os Fiéis, fazendo-os comungar na graça da vida dos santos Lembremo-nos, a propósito de acusação de idolatria feita algumas vezes a respeito dos ortodoxos, que a veneração dedicada às santas imagens não é dirigida à madeira ou às tintas, mas sim à pessoa representada. São João Damasceno, este grande defensor dos ícones, faz uma distinção precisa à maneira que os ícones devem ser venerados e honrados e à adoração que é devida somente a Deus. Existe muito mais a ser dito sobre o ícone e sobre a iconografia, esta imensa riqueza da Igreja. Devia-se falar da relação entre ícone e retrato (os santos são reconhecíveis), das indicações que eles dão sobre a participação do homem na vida divina, da contemplação do invisível no visível à qual ele nos convida, da realidade concreta que ele traduz (a dos textos sagrados), da sobriedade, da paz e da harmonia que eles manifestam, da expressão do dogma da transfiguração que eles oferecem. Devia-se falar também, de um tipo de loucura em Cristo pictórico que eles representam, em contradição com o espírito de “gravidade,” de “realismo,” ou de abstração ilusória da arte profana; ou dar algumas indicações sobre as razões da “perspectiva invertida” que se encontra neles habitualmente, da tez escura dos santos (o ícone representa não a carne corruptível, mas a carne transfigurada, iluminada pela graça, a graça do século futuro), das proporções não realistas dos detalhes, etc. Nos encontramos diante de um assunto vasto e profundo, mas não é necessário ser sábio ou teólogo para receber a graça auferida pelo ícone, para beneficiar-se de suas ajudas é suficiente venerá-los e orar diante deles na vida da Igreja. Ver também Cânone, a respeito dos ícones e da iconografia

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